Yo, o aplicativo que resume uma geração

por Pedro Katchborian | 24 junho 2014

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Duas letras: é isso o que uma geração precisa pra se comunicar. Mais nada. Digo isso pelo sucesso que faz o aplicativo Yo.

O Yo é um app gratuito em que você cria um usuário, uma senha (não precisa se conectar com o Facebook ou um e-mail), adiciona os seus amigos, aperta um botão e manda um “Yo” pra eles. E só. Logo depois que você cria a sua conta, rola um tutorial, que dá mais explicações. “Quer dar bom dia ao seu amigo? Yo! Quer dizer ao seu namorado que o ama? Yo!” Simples assim. E o seu amigo pode responder da mesma forma.

Parece besta, mas o aplicativo está entre os mais baixados tanto no Google Play como na App Store. O aplicativo parece tão idiota, que até o próprio desenvolvedor demorou para fazê-lo, achando que ninguém ia usá-lo, segundo história contada pelo Business Insider.


Geração Yo

Besta? Inútil? Não, o Yo é muito mais que isso. Ele resume a nossa geração. Primeiro: às vezes as coisas mais simples são as que chamam a nossa atenção. Flappy Bird que o diga. Há tantas possibilidades para os desenvolvedores, tantos recursos, que às vezes esquecemos que o simples pode ser muito viciante.

Como eu disse, para usar o app não é necessário conectar a um e-mail ou fazer cadastro com o Facebook. Em tempos da discussão de privacidade, o Yo é o que queremos. Assim como o Snapchat, só precisa de uma conta e ponto final. Aparentemente seguro (digo aparentemente por que ele foi hackeado).

Mas o mais importante é que o Yo representa o modo direto (e curto) que queremos entrar em contato. Talvez seja um pouco deprimente, afinal, se você sente que não se aproxima de verdade das pessoas com o WhatsApp, o que dizer com uma palavra pré-escrita? Eu baixei o aplicativo e, realmente, a princípio pensei: “mano, como as pessoas usam isso?”

Só que, imaginando que todos os meus amigos usassem, não parece tão inútil. Como relatado nessa história, ao receber um “Yo”, pode ser tipo um “estou pensando em você”. Mas também pode ser muitas outras coisas: um “oi”, um “preciso falar com você”, um “vai se foder”. É uma comunicação tão simples, que se torna muito abrangente. É divertido.

Entre tantas redes sociais e tantas formas de entrar em contato, o Yo talvez seja a mais simples. Mas é digna como qualquer outra.

Quem escreveu:

Pedro Katchborian / @pedrokatch

é repórter do youPIX. Queria ser paleontólogo, mas virou jornalista.
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