O paradoxo da liberdade de expressão no Facebook

por RENATO ALT | 20 janeiro 2015

O Facebook é como um “Feitiço do Tempo” online: todas as discussões estão presas em um eterno “hoje”. 

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Não importa sobre o que é seu post.

Alguém, em algum momento, vai dizer que é racista, sexista, extremista, de mau gosto, homofóbico, retrógrado ou qualquer outra coisa que ajude a desqualificar o seu ponto de vista para, em seguida, impor o próprio.

Muitas vezes, nem mesmo para isso.

Se a citação vem da revista Veja, o argumento não vale “porque é Veja”. Se vem da Carta Capital, também não vale “porque é Carta Capital”. Se é seu próprio ponto de vista, bom… quem é você para falar sobre isso?

A velocidade com que qualquer assunto rapidamente transforma-se em uma discussão descabida é assustadora. Hoje é fácil perceber que a maioria das pessoas começa a consumir um conteúdo já buscando nele as falhas a apontar. Se não é o caso de haver falhas, essa raiva aparece na forma do xingamento puro e simples. Exagero? Dê uma olhada, por exemplo, nos comentários de qualquer vídeo no Youtube; há discussões acontecendo há anos, literalmente.

Esse ambiente online, onde cada vez passamos mais tempo, mantém os ânimos exaltados quase que permanentemente. Afinal, se depois de séculos alguém resolve contrariar uma opinião da qual você nem mesmo se lembrava (e que pode até ter mudado), tudo recomeça. É como um “Feitiço do Tempo” online: todas as discussões estão presas em um eterno “hoje”. Clique pra continuar lendo

UM PASSEIO PELA DEEP WEB, O LUGAR MAIS ASSUSTADOR DA INTERNET

por RENATO ALT | 1 novembro 2012

ESTE DEPOIMENTO CONTEM IMAGENS QUE PODEM SER PERTURBADORAS!

Nossos leitores enxergam o youPIX como um veículo que “explica e organiza” um pouco
do caos da internet. Só fizemos esta matéria porque recebemos muuuitos pedidos
de explicação sobre a Deep Web e o tipo de conteúdo produzido por lá. 

O YOUPIX NÃO RECOMENDA O ACESSO À DEEP WEB!

Antes de começar o mergulho, vale dizer o seguinte: é claro que a Deep Web não é essencialmente do mal. Tem muita coisa interessante, como livros, pesquisas, músicas, documentos e muito, muito mais; coisas que não aparecem no Google porque não foram indexadas. Nesse caso aí a questão passa a ser direitos autorais, que é papo pra outra hora. E, no final das contas, você acha o que procura, né? As coisas não simplesmente surgem na tela. O lance é que o que mais desperta a curiosidade da galera em geral é se, afinal, esse monte de bizarrice que dizem rolar por lá realmente rola. Por isso é que neste artigo a gente focou nesse lado aí.

Você provavelmente já ouviu falar nela, a Deep Web, como aquela parte de baixo do iceberg na imagem que anda circulando por aí. Aproximadamente 80% de toda a informação que corre na internet está escondida nessa camada bem profunda da rede… uma camada que, por motivos óbvios, você não vai encontrar no Google. Grande parte disso é conteúdo bruto (raw data) não formatada para uso humano (dados e coisas do tipo), mas só a parte que a gente entende já é suficiente pra dar o que falar.

Mergulhar nesse universo profundo de maneira adequada é complicado. E é mergulhar mesmo, porque enquanto você circula tranquilo pela web aqui em cima, a Deep Web pede equipamento especial e bom treinamento, ou você vai virar comida de tubarão. Mesmo sabendo disso tudo aí, que não é nada tentador, resolvi ceder à minha curiosidade patológica e entrar nesse mundo paralelo, e desbravar o lado dark da DW.

Mas me arrependi…

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PITBLOGGERS

por RENATO ALT | 18 outubro 2010

É verdade, as redes sociais têm uma coisa meio mágica sim. Esse negócio de todo mundo poder falar com todo mundo, interagir, blá blá blá. Que dê o primeiro unfollow quem nunca “curtiu” alguma coisa no Facebook, ou fez uma piadinha sobre Orkut ou sei lá mais o quê. Bacana! Mas o curioso é que nem tanta gente pensa sobre quem são as pessoas escondidas por trás dos avatares redes sociais a fora.

Criar um avatar qualquer e esconder-se por detrás dele é fácil. A partir daí, xingar, provocar e criar confusão pode ser só questão de oportunidade ou, até pior, a intenção. Já inventaram o termo pra isso: trollar. Assim, o anonimato e os nicknames seguem criando uma geração inteira de bufões e pitbloggers que, se fossem colocados cara-a-cara com aqueles que atacam, provavelmente sairiam correndo com o mouse entre as pernas. Enquanto isso, na tranqüilidade do lar, são bons amigos, pais, empregados, filhos.

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Tá, mas e daí?

Daí que é preciso perceber até onde o que se diz no Twitter, Facebook, ou qualquer que seja a rede social da vez, é uma diversão e a partir de onde começa o comportamento patológico e vicioso. Porque só pode ser esse o caso de alguém que fica horas e horas buscando a quem atacar, o que dizer, a quem irritar, tudo a fim de obter uma carga qualquer de endorfina para mascarar a própria mediocridade.

Olha, de repente pode parecer que eu é que estou neurotizando, jogando seriedade demais em uma coisa aparentemente inocente mas, é nessa inocência, nesse “nada a ver”, que se esconde o perigo de verdade.

Pessoas que são condicionadas a manter uma série de pensamentos sob controle na vida real e, que de repente, se vêem livres a expressá-los na internet, podem apresentar um comportamento que, não dificilmente, foge do controle. Vale lembrar de programas como “To Catch a Predator“, da MSNBC. Vale lembrar também, muita coisa ruim que já aconteceu aqui, e mais de uma vez, por causa e através do Orkut.

Claro que o assunto é muito mais extenso do que este texto, falar sobre todas as suas nuances aqui seria impossível, de cada pensamento surgem muitos desdobramentos. Longe de querer ser um documento sobre o assunto, a idéia aqui é a gente pensar e discutir.

Ninguém precisa ficar paranóico, mas é bom ficar ligado! Ao primeiro indício de confusão, esqueça a pseudo-coragem que o conforto da cadeira dá e, ao invés de retrucar, aproveite um dos grandes benefícios da atual tecnologia: DESCONECTE!


>>>Renato Alt, ou @aperteoalt, escreve. Sobre todo mundo, sobre ninguém e sobre qualquer coisa entre essas duas. Só que sem trollagem, claro.   Pra conferir é só seguir no Twitter ou visitar aperteoalt.com.br