Geração “só a cabecinha”

por BIA GRANJA | 17 julho 2014

(Foto: Nik Neves/ Editora Globo)
(Foto: Nik Neves/ Editora Globo)

 

Outro dia vi um estudo que diz que 25% das músicas do Spotify são puladas após 5 segundos. E que metade dos usuários avança a música antes do seu final. Enquanto isso, no YouTube, a média de tempo assistindo a vídeos não passa dos 90 segundos. O mais chocante desses dois dados é que o uso do Spotify e do YouTube, em geral, está focado no lazer, no entretenimento. Ou seja, se a gente não tem paciência para ficar mais de 90 segundos focado em uma atividade que nos dá prazer, o que acontece com o resto das coisas?

Você ficou sabendo da entrada do ator Selton Mello no seriado Game Of Thrones? Saiu em vários grandes portais brasileiros e a galera na internet compartilhou loucamente a notícia. Tudo muito bacana, não fosse a notícia um hoax, um boato inventado por um empresário brasileiro apenas pra zoar e ver até onde a história poderia chegar. Bem, ela foi longe: mais de 500 tuítes com o link, mais de 3 mil compartilhamentos no Facebook, mais de 13 mil curtidas, matéria no UOL, Ego, Bandeirantes, O Dia e vários outros sites.

Quem não tem paciência de ouvir cinco segundos de uma música tem menos paciência ainda pra ler uma notícia inteira. Pesquisas já mostraram que a maioria das pessoas compartilha reportagens sem ler. Viramos a Geração “só a cabecinha”, um amontoado de pessoas que vivem com pressa, ansiosas demais pra se aprofundar nas coisas. Somos a geração que lê o título, comenta sobre ele, compartilha, mas não vai até o fim do texto. Não precisa, ninguém lê!

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Amor no ~feice~

por BIA GRANJA | 8 junho 2014

amonofeice

Outro dia minha timeline foi tomada pela notícia de um rapaz que terminou o namoro usando uma hashtag no Instagram. O moço publicou #TransformationTuesday, usada toda terça por quem quer mostrar algo que tenha mudado na sua vida, e postou uma foto do antes com a namorada e do depois, sem a menina na imagem. A coitada ainda mandou um comentário: “Você está terminando comigo?” QUE DÓ!

O episódio me fez pensar no que seria aceitável para relacionamentos em tempos de redes sociais. Hoje, se você não mudou seu status de relacionamento no Facebook, a relação não foi oficializada, né? Se não tá no ~Feice~, não tá namorando. Já vi um monte de gente “pedir em namoro” ao mudar o status e solicitar que o outro confirme. Fofo, né?

Que tal, então, aqueles que fazem uma surpresa pra pessoa amada e gravam um vídeo no YouTube com um pedido público e viral de casamento? Romântico? Tem também aquela galera que posta uma foto de um anel no Instagram e tagueia a pessoa amada. Nhô, que amor!

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#SomosTodosMacacos e a sensação horrível de ser enganado

por Ana Freitas | 30 abril 2014

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Não queria que você soubesse por mim, mas preciso te contar uma coisa, caso você ainda não saiba: a hashtag #somosotodosmacacos, do Neymar, surgiu por conta de uma ação de marketing de uma agência de publicidade em São Paulo. Terrível, né? Pior ainda é o Luciano Huck, que no dia seguinte ao episódio de racismo contra o Daniel Alves, já estava vendendo uma camiseta com estampa de banana. Não à toa, todo mundo achou oportunista, pra dizer o mínimo.

Mais uma coisa: lembra daquele viral dos estranhos se beijando, que emocionou todo mundo e passou até no Fantástico? Também era uma ação. De uma marca de roupas. E os estranhos, embora fossem realmente estranhos uns aos outros, eram atores e músicos.

A essa altura, você provavelmente já sabia disso tudo. Mas é que eu queria te fazer lembrar da sensação de ser enganado – de ver uma ação espontânea de produção de conteúdo na web ser desmascarada em seguida com a informação de que ela foi pensada por um grupo de publicitários para vender uma marca ou promover um conceito.

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Não existe oversharing na internet. Tá liberado postar de tudo! o/

por BIA GRANJA | 28 abril 2014

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Outro dia estava dando uma sapeada na timeline do Facebook quando me deparei com um post de um amigo que narrava os problemas de prisão de ventre que ele havia enfrentado dias antes. A narrativa da constipação era longa, detalhada e culminava (sem trocadilhos) com um supositório. Era a primeira experiência do sujeito usando o dispositivo e, claro, ele ficou tão constrangido quanto aliviado depois que o remédio surtiu efeito.

Que bom pra ele! :)

Agora eu pergunto: quem, além da Patrycia Travassos, estaria interessado nos movimentos peristálticos do meu amigo? Por que alguém compartilharia algo desse tipo, meu Deus? O post pode ser considerado oversharing?

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Quem aguenta tanto kibe?

por Nicolas Andrade | 28 abril 2014

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Pra quem não sabe, na internet, kibe é um verbo e é usado para definir cópias sem autorização, também conhecidas como plágio. Quando você ler por aí que Fulano “kibou” Beltrano, significa que Fulano reproduziu alguma coisa de Beltrano sem a prévia autorização dele, ou sem os devidos créditos. E isso começa na escola, quando você entrega para o professor aquele trabalho copiado da página da Wikipedia – como se ele não soubesse.

Os parágrafos 1 e 2 do artigo 184 do Código Penal Brasileiro preveem detenção de três meses a um ano, ou multa, em caso de violação dos direitos autorais. Ok, sabemos que ninguém precisa de um ofício para apertar o ctrl+c + ctrl+v no teclado e que não existe nenhuma patrulha anti-kibe na internet (Graças a Deus!). Mas custa escrever o nome do autor?

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Sobre o rolezinho e a velha orkutização

por Renan Dissenha Fagundes | 15 janeiro 2014

A essa altura você já deve ter ouvido falar mais de uma vez dos “rolezinhos no shopping”, que são, em uma explicação bem simplificada, jovens da periferia se encontrando em shoppings usando redes sociais (se estiver meio perdido, a gente fez um guia com links para entender melhor o rolê).

Enquanto a maior parte dos jovens nos eventos parece só querer se divertir, beijar na boca, encontrar seus ídolos do Facebook (que não, não são celebs do mainstream) e curtir a vida (fazer zueira, basicamente), outros jovens, de classe média e politizados, resolveram entender a pira com um viés político — e até marcaram rolês com uma pegada bem mais de protestos do que de festa (que é a ideia original).

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O monoteísmo das redes sociais

por Edney "Interney" Souza | 15 agosto 2013

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Em uma de suas muitas definições, religião é o ato de se reconectar com Deus, talvez essa analogia, onde as ferramentas digitais de redes sociais são os veículos para se reconectar com seus amigos, explique o fanatismo que as pessoas possuem por uma ou outra ferramenta em específico.

Eu fico profundamente incomodado quando uma pessoa briga com outra porque prefere a rede social X, Y ou Z. Geralmente essas brigas incluem Twitter, Facebook e Google+.

Você pode usá-las de formas diferentes, porque são ferramentas com características distintas, e eu entendo que refazer suas conexões em cada rede é trabalhoso, mas nos dias de hoje existem recursos que podem simplificar e muito essa segmentação.

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#OccupyGezi prova que ativismo de sofá e ativismo de rua se completam

por CAROL ALMEIDA | 4 junho 2013

GeziCelular1

Extremistas, partido da oposição e redes sociais. Não necessariamente nessa ordem. Segundo o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, são esses os grandes culpados por todos os protestos que têm acontecido em Istambul nesses últimos dias.

“Essa coisa que chamam de redes sociais não passa de uma fonte de problemas para a sociedade atual. Há um problema que se chama Twitter. Ali se difundem mentiras”, diz ele, todo senhor da razão e da maior asneira que alguém poderia falar.

TwitterRevolution

Sim, porque graças a essas mesmas redes sociais, sabemos que protestos como esse em Istambul são tudo menos uma atividade partidária organizada para atingir o governo especificamente. E caso você ande boiando geral na história, aqui vai um resumo do que tem sido divulgado por aí:

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Qual o problema do Facebook com as mulheres?

por CAROL ALMEIDA | 31 maio 2013

Next1

Não se sabe se foi alguma moça que não ligou no dia seguinte, ou mesmo uma menina que roubou o pirulito do Mark Zuckerberg no pátio do colégio. Fato é que fica cada vez mais claro que a rede do 1.1 bilhão de usuários precisa urgentemente consultar um terapeuta ~por motivos de~: misoginia.

E, claro, mudar ontem seu sistema de reconhecimento de imagens e moderação para evitar catástrofes maiores do que as que já vêm acontecendo.

A acusação é séria e, acreditem, não é gratuita.

O caso mais recente de desfecho trágico aconteceu na Itália, onde uma menina de 14 anos se suicidou porque não conseguiu lidar com o cyberbullying de um grupo de rapazes que comentaram em um vídeo que circulou livremente pelo Facebook durante alguns dias. Nele, a menina era vista bêbada em uma festa. Foi o suficiente para choverem mensagens agressivas e violentas contra ela.

Poderíamos gastar vários parágrafos aqui relatando outras inúmeras situações de agressões a mulheres (especialmente adolescentes), mas melhor ir direto ao ponto:

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Por que o ranking das fanpages mais influentes do Facebook está equivocado

por ANA BRAMBILLA | 15 maio 2013

News1

Pesquisas e rankings de mídias sociais sempre trazem curiosidades, ainda que a amostragem, o período de análise e as interpretações do autor possam distorcer o resultado sem dó nem piedade. Os relatórios regionais da SocialBakers sobre páginas de Facebook trazem dados para análises livres. E a última edição, de abril, levanta pontos interessantes especialmente no que se refere à categoria media.

No top 10 de Brasil, as fanpages que se destacaram estão divididas em oito canais ou programas de TV e dois portais, evidenciando que, embora o Twitter seja amplamente reconhecido como a rede da segunda tela, o comportamento massivo da maior mídia se estende para a atmosfera de nichos do Facebook.

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