[Impressão Digital] Eleições 2014: entre a zoeira e o rancor

por Alexandre Matias | 28 outubro 2014

A internet brasileira superpõe duas realidades – a onipresença do Facebook e a cara violenta do Brasil – rumo ao nosso amadurecimento político

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2014 foi um ano bem esclarecedor. Independentemente do resultado do time para quem você estava torcendo, Copa e Eleições em 2014 tiveram o tempero carregado da internet brasileira, metade zoeira, metade rancor. Milhões de brasileiros pendurados no Twitter ou no Facebook, fingiam que estavam trabalhando ou lendo mensagens no celular para ultrapassar o clichê dos 200 milhões de técnicos de futebol ou 200 milhões de analistas de política que a cada quatro anos nos incorpora.

O brasileiro online se move em hordas, grupos de conhecidos que gastam energia pegando pesado entre si e, muitas vezes, despejam bordoadas em semiconhecidos que só estão passando. A voracidade da presença do brasileiro na internet é comemorada não apenas na vice posição das maiores redes sociais do mundo mas também em hypes que vivem auges e depois desaparecem – como o Fotolog, o Formspring, o Old Reader e, aparentemente, há pouco tempo, o Ello.

Mas ela também é lamentada em jogos online por vários jogadores graças à sua natureza destrutiva – são famosos os clãs brasileiros que riem “huehuehuehue” e existem apenas para dizimar as construções de outros jogadores, sem motivo algum. O bullying online é constante nas redes sociais e isso traduz duas realidades que o Brasil vive ao mesmo tempo: a popularidade do Facebook e a história de violência do país.

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Cadê aquela Geração Y que ia salvar o mundo?

por Diego Remus | 14 outubro 2014

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Nos últimos anos, a Geração Y foi celebrada nas empresas e na mídia como divisora de águas, agente de mudanças, salvação da pátria. Articulada, descolada, conectada, motivada, criativa, a turma de pessoas nascidas entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1990 incomodou o status quo nas famílias e empresas mais tradicionais – nas mídias sociais também. Mas, olhando de fora e analisando com uma pesquisa, parece que a gente (e eu me incluo nessa) não é tudo isso.

Antes que digam “isso era apenas hype de publicitários e consultores de tendências, só jornalista e blogueiro acreditou”,  ou ainda “isso é o que os jovens sempre representam”, vale notar o que duas empresas norte-americanas descobriram. Elas pesquisaram jovens em 10 países e chegaram à conclusão que uma geração ainda mais nova, a Geração Z, nascida entre meados dos 1990 e meados de 2010, tem muito mais pé-no-chão para fazer a diferença e gerar resultados. Leia aqui mais detalhes sobre a pesquisa.

A Geração Y conseguiu projetar alguns “role models”, um ou outro fundador do Facebook, Tumblr, Instagarm aqui e ali. Mas, de resto, as gerações anteriores contam com muito mais casos. Talvez seja questão de dar tempo ao tempo? Isso conta. Mas a pesquisa também mostrou que, entre todos Geração Y que antes diziam “não me preocupo com o dinheiro, me preocupo com o mundo”, agora a preocupação já mudou para “preciso me manter”. Ou seja, aquele jovem que pensava em fazer aquilo que amava e colocava a felicidade pessoal acima do trabalho não existe de fato. No fim do mês, o que conta é o dinheiro na conta. E isso também já é preocupação dos Z.

Cadê aquela Geração Y que ia salvar o mundo?

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Pare de chorar sobre a privacidade compartilhada

por BIA GRANJA | 3 outubro 2014

Uma das coisas que mais me deixa irritada é ouvir que as redes sociais são culpadas pela evasão de privacidade que assola o mundo. Canso de responder a essa pergunta em entrevistas e palestras: “mas dá pra pessoa ter perfil em rede social e querer privacidade?”. Dá, pequeno gafanhoto, é claro que dá.

Sempre bato na tecla de que a internet é o que a gente faz dela. A web sozinha não é nada, cabe a nós acessá-la e usá-la de acordo com nossos interesses. Já tentou entrar no YouTube e, em vez de ver vídeos de gatinhos fofos, procurar por, sei lá, a história do mundo? A mesma lógica rola nas redes sociais. Sua timeline do Twitter é só chorume? Dá um unfollow geral. Está a fim de notícias? Siga jornais e revistas. Sua internet e redes sociais sempre serão um reflexo de você. Já pensou nisso? Se a coisa está ruim, de repente você tem de repensar o seu eu. Profundo, né? Clique aqui pra continuar lendo minha coluna na revista Galileu >>>

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Símbolo de uma era, Orkut democratizou a internet no Brasil

por BIA GRANJA | 29 setembro 2014

O Orkut foi a porta de entrada da internet para o brasileiro. Na época em que ele se tornou popular, 82% dos usuários de internet do nosso País tiveram sua primeira experiência online graças ao Orkut e exclusivamente para usá-lo, diz a FGV. O que isso significou foi tão poderoso quanto chocante. Poderoso pois foi o primeiro canal de expressão e criatividade do brasileiro no mundo online, chocante porque revelou pra elite brasileira um País que não conhecia.

Naquela época, da web 1.0, a internet era vista como um canal de livre expressão, mas o fato é que, no Brasil, essa característica só foi mesmo aproveitada pelos usuários quando chegou o Orkut. Até então, a informação ainda era controlada por poucas famílias que do mundo offline passaram a ser donas de portais na web. A outra ferramenta que existia para dar voz ao público, os blogs, era intimidadora para a maioria.

As pessoas queriam falar, fazer parte da revolução. Assim, quando o Orkut apareceu, foi natural que a gente ficasse enlouquecido com as possibilidades da rede. O lindo do Orkut é que ele nunca teve preconceito: do morador do sertão profundo ao cara que mora no Jardins, todos tinham ali o mesmo espaço pra preencher, fotos, scraps, comunidades, testimonials… Você não podia comprar um Orkut Gold (apesar dos hoax) e se separar do resto das pessoas. Isso trazia uma sensação de liberdade gigantesca. Clique aqui pra continuar lendo >>>

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Crise de abstinência

por BIA GRANJA | 11 setembro 2014

Você passa 70% do seu dia no Facebook, 10% no Instagram e os outros 20% reclamando do quanto as pessoas se expõem loucamente nas redes sociais e o quanto não aguenta mais ver foto da galera no restaurante, na viagem, no festival de música, na praia, no parque, na balada e afins. Porém, uma coisa que você não conta nem no Secret é que essa quantidade de posts faz com que você se sinta bem, se sinta incluído e fazendo parte da vida dos caras. É um vício, aquele lance que a gente adora odiar mas que alimenta nosso lado stalker e acalma o lado carente. Muito bem!

Daí vamos imaginar que, de repente, seus amigos e perfis que você acompanha começam a postar menos, quase desaparecendo da sua timeline. Meu Deus! Onde eles estão? Por que não publicam mais nas redes sociais? Será que estão fazendo algo tão legal que não dá nem tempo de publicar na internet? E, principalmente, por que eu não estou sendo incluída nesse rolê?

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Nik Neves/ Editora Globo

O selfie matou o autógrafo

por ROSANA HERMANN | 8 setembro 2014

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Era mais ou menos assim:

O fã chegava perto do ídolo com um caderninho na mão. Ou um papel. Qualquer papel. E uma caneta.

Ele se aproximava lentamente até ficar bem perto do seu ídolo.
Ao chegar bem diante dele, o fã, num @rroubo de coragem, olhava fixamente nos olhos daquela pessoa que ele sempre sonhou em conhecer ao vivo, oferecia a caneta e dizia:
- me dá um autógrafo?

E o ídolo desfazia as duas linhas paralelas dos olhos-nos-olhos, pegava a caneta, perguntava o nome do fã, dando mais uma rápida olhadinha pra sua cara congelada num sorriso e rabiscava ali, juntos, para sempre naquele atestado de proximidade, seu nome e o do seu fã.

Essa assinatura única nesse momento idem era conhecida como ‘autógrafo’.

Agora, não.

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O culto ao corpo, o nu e as celebridades

por Daniel Sollero | 2 setembro 2014

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Um hacker dá um jeito de conseguir fotos que celebridades tiraram nuas nos seus celulares e publica tudo na internet. Antes de mais nada, independente da maneira como a pessoa teve acesso as fotos, publicar isso em qualquer lugar ou compartilhar isso é, sim, sacanagem – para falar o mínimo.

É assédio moral, bullying ou qualquer termo que você queira usar. Sem falar no mais grave: é crime. Não importa se é revenge porn, hacker, celular achado, etc. É errado e é crime. Mas esse texto não é para falar sobre isso mas sim sobre outro lado dessa história toda: os porquês das fotos.

Quando soube dessa história toda, eu fiquei pensando de onde vem esse hábito de fotografar seu próprio corpo nu. Isso é um fenômeno novo? A culpa é da tecnologia? A culpa é da publicidade e desses ideais irreais (ou surreais) que nos alimentam? É um culto a imagem? É a internet?

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A síndrome do “Eu já vi”

por BIA GRANJA | 11 agosto 2014

(Foto: flickr/creative commons)
(Foto: flickr/creative commons)

 

Aperte a tecla verde se algum dos casos abaixo já aconteceu com você em maior ou menor intensidade nos últimos tempos:

a) Você está com um amigo num bar/restaurante e de repente ele te pergunta se você já viu tal coisa…. coisa tal que você ainda não viu. Você dá uma de João Sem Braço, pede pra ir ao banheiro rapidinho, acessa o Google, pesquisa a tal coisa, volta para a mesa e comenta como se já conhecesse aquilo há tempos.

b) Você está falando com o bróder no chat do Facebook, ele te manda um link de um Tumblr que está bombando e pergunta se você já viu. Você não viu, mas clica rapidinho, dá uma sapeada e responde rápido que, claro, conhecia.

c) Você está em uma reunião, alguém comenta sobre aquele último vídeo viral da internet. Você ainda não viu, a internet não está funcionando, seu 3G parou… PÂNICO! Todo mundo comenta sobre o vídeo e você fica por fora do assunto do momento-minuto.

Está muito difícil mostrar alguma coisa nova pra alguém hoje em dia, né?

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Geração “só a cabecinha”

por BIA GRANJA | 17 julho 2014

(Foto: Nik Neves/ Editora Globo)
(Foto: Nik Neves/ Editora Globo)

 

Outro dia vi um estudo que diz que 25% das músicas do Spotify são puladas após 5 segundos. E que metade dos usuários avança a música antes do seu final. Enquanto isso, no YouTube, a média de tempo assistindo a vídeos não passa dos 90 segundos. O mais chocante desses dois dados é que o uso do Spotify e do YouTube, em geral, está focado no lazer, no entretenimento. Ou seja, se a gente não tem paciência para ficar mais de 90 segundos focado em uma atividade que nos dá prazer, o que acontece com o resto das coisas?

Você ficou sabendo da entrada do ator Selton Mello no seriado Game Of Thrones? Saiu em vários grandes portais brasileiros e a galera na internet compartilhou loucamente a notícia. Tudo muito bacana, não fosse a notícia um hoax, um boato inventado por um empresário brasileiro apenas pra zoar e ver até onde a história poderia chegar. Bem, ela foi longe: mais de 500 tuítes com o link, mais de 3 mil compartilhamentos no Facebook, mais de 13 mil curtidas, matéria no UOL, Ego, Bandeirantes, O Dia e vários outros sites.

Quem não tem paciência de ouvir cinco segundos de uma música tem menos paciência ainda pra ler uma notícia inteira. Pesquisas já mostraram que a maioria das pessoas compartilha reportagens sem ler. Viramos a Geração “só a cabecinha”, um amontoado de pessoas que vivem com pressa, ansiosas demais pra se aprofundar nas coisas. Somos a geração que lê o título, comenta sobre ele, compartilha, mas não vai até o fim do texto. Não precisa, ninguém lê!

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Amor no ~feice~

por BIA GRANJA | 8 junho 2014

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Outro dia minha timeline foi tomada pela notícia de um rapaz que terminou o namoro usando uma hashtag no Instagram. O moço publicou #TransformationTuesday, usada toda terça por quem quer mostrar algo que tenha mudado na sua vida, e postou uma foto do antes com a namorada e do depois, sem a menina na imagem. A coitada ainda mandou um comentário: “Você está terminando comigo?” QUE DÓ!

O episódio me fez pensar no que seria aceitável para relacionamentos em tempos de redes sociais. Hoje, se você não mudou seu status de relacionamento no Facebook, a relação não foi oficializada, né? Se não tá no ~Feice~, não tá namorando. Já vi um monte de gente “pedir em namoro” ao mudar o status e solicitar que o outro confirme. Fofo, né?

Que tal, então, aqueles que fazem uma surpresa pra pessoa amada e gravam um vídeo no YouTube com um pedido público e viral de casamento? Romântico? Tem também aquela galera que posta uma foto de um anel no Instagram e tagueia a pessoa amada. Nhô, que amor!

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