Sobre o polêmico vídeo do Cauê Moura: Youtube Teen

por BIA GRANJA | 24 fevereiro 2015

Dá o play aí antes da gente começar…

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Ontem a noite me deparei com esse vídeo aí em cima do Cauê Moura descendo a letra na nova geração de youtubers que, ao invés de se preocupar em produzir um conteúdo foda, fica pagando de alegre com seus fã-clubes. Como se a fama fosse mais importante que o conteúdo e tal.

Eu também acho que existe muito estrelismo nesse mundo youtúbico. Como curadora de um evento que reúne e fomenta esse universo, já me vi em situações muito constrangedores envolvendo youtubers e seus egos. (DE QUEM VOCÊ TAVA FALANDO, CAUÊ??? ME CHAMA NA INBOX!)

Mas…

 

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A cultura digital é como a cultura oral… só que escrita

por An Xiao Mina | 23 fevereiro 2015

A maneira como a gente interage com outras pessoas online – seja através de palavras, imagens, música, GIFs e afins – tem muito mais a ver com uma conversa do que com difusão de informação, muito mais a ver com o ato de compartilhar do que de documentar.  

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Tendo crescido em meio a uma série de “culturais orais”, a cultura digital sempre me pareceu muito mais como uma cultura oral só que escrita. Na verdade, muitas das críticas básicas sobre como as pessoas agem no mundo online partem do pressuposto de que elas devem seguir as normas e convenções da cultura escrita.

Será que isso pode nos ajudar a entender o alvoroço em torno do significado dos paus de selfie, das imagens de comidas e outros aspectos aparentemente estranhos/curiosos da cultura digital? Sim, eu diria! Onde alguns veem narcisismo e auto-obsessão, eu vejo uma fusão da cultura impressa com a cultura oral.

Em 2011, a tecnosocióloga Zeynep Tufekci observou que grande parte da cultura ocidental de língua inglesa vem de uma tradição cultural letrada. E isto nos leva a mal-entendidos sobre a forma como a web funciona. E como é que a web funciona? Bem, ela se parece muito mais com uma conversa oral do que com uma escrita. Clique pra continuar lendo

Sobre essa modinha de tudo ser vídeo na internet

por Gustavo Teles | 12 fevereiro 2015

Você é blogueiro, youtuber ou apenas criador de conteúdo? Bons criadores não se limitam à plataformas, eles criam conteúdo relevante e pronto.

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Nas últimas semanas tenho visto uma discussão sobre a transição – ou não – do mundo escrito dos blogs para o mundo assistido do áudiovisual, gerada por essa coluna da Bia Granja aqui no youPIX. Li textos incríveis sobre esse paradigma, onde gente muito entendida do ecossistema de conteúdo na internet formulou opiniões, fez projeções e previsões ou deu apenas aquele bom e velho pitaco quando surge uma polêmica.

Confesso que sempre fico com um pé atrás quando surge alguma “modinha”. Geralmente eu a observo bem de perto e busco compreender qual o ponto inicial desse movimento, na tentativa de me antecipar em relação a tudo que virá em seguida. Em relação a conteúdo, tenho alguns pontos de vista lógicos. Acredito que não se pode pensar em conteúdo sem parar para analisar profundamente as pessoas. É antropologia pura! Compreender como se formam as culturas e, consequentemente, como elas propagam seus princípios ao longo de gerações é essencial.

Quando o comportamento humano é a base pra tudo que pensamos sobre conteúdo e pensando especificamnte em vídeo, a conclusão é óbvia: é claro que estímulos visuais são extremamente eficazes no compartilhamento e conscientização de culturas, formação de hábitos e construção de pensamento. Se a mensagem a ser propagada conseguir reunir áudio e visual com o timming de compreensão da geração com a qual você pretende se conectar, então você se torna Rei em terra de cegos. Digo isso, pela escassez de bons tradutores de comportamentos das gerações atuais. Clique pra continuar lendo

As melhores cenas do BBB não aparecem na TV

por Wagner Martins | 10 fevereiro 2015

Tem gente pagando uma fortuna pelos pacotes de pay-per-view para acompanhar o “reality show” da Globo,  mas o melhor da festa está disponível de graça, principalmente para aqueles que, como eu, já abandonaram a TV como fonte de entretenimento.

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A vida de um cidadão “pós-TV” não é preenchida apenas com conteúdo erudito. Entre esta magnífica entrevista do Bill Gates e esta série sobre a vida sofrida dos transgêneros, precisamos de algo que nos aproxime mais das inquietudes do cidadão brasileiro. E um dos meus primeiros grandes desafios ao cancelar a TV este ano foi me manter atualizado com o que está rolando na casa mais famosa do Brasil.

Para isso reservei o domingo, o dia que Deus se permitiu o pecado da alienação, para explorar o canal da webdiva Tulla Luana®. Junto com Ele e meu amigo Chico Barney, a maior autoridade em conteúdo de massa que conheço, uma espécie de zeitgeist do chorume, passei a tarde tomando umas e acompanhando um vídeo de 1 hora onde Tulla foi comemorar seu aniversário no McDonalds, aparentemente o dia mais feliz de sua vida. Assista: Clique pra continuar lendo

Mais self, menos selfie

por BIA GRANJA | 9 fevereiro 2015

A lógica das redes sociais de quantificar nosso sucesso através de likes e RTs nos faz perder a noção de quem realmente somos. Vivemos em função daquilo que outros atribuem a nós.

 imagem: NIK NEVES/ EDITORA GLOBO)

Coluna originalmente publicada na revista Galileu

 

Nos Estados Unidos existe uma expressão que não tem correspondente em português: o me time. Temos aqui o tal do “tempo para mim”, mas não acho que seja a tradução correta. Esse “tempo do eu” (em tradução mais do que livre) não tem tanto a ver com as horas do dia que sobram para fazer coisas pes­soais (ler aquele livro que estava parado no criado-mudo ou fazer o tratamento estético de que provavelmente você não precisa), mas sim com as horas do dia em que ficamos a sós conosco. Um tempo para curtir a solidão.

Hoje temos muito pouco “tempo do eu”. O mundo digital e suas demandas sociais fazem que nunca estejamos sozinhos. A lógica das redes sociais de quantificar nosso sucesso através de likes e RTs nos faz perder a noção de quem realmente somos. Vivemos em função daquilo que outros atribuem a nós. Se posto uma selfie no Instagram e recebo dez likes, isso constrói meu caráter e minha persona. Se ninguém curte o que posto, acho que tenho algum problema, que minha vida não é tão interessante ou que meus amigos não ligam para mim. A construção do que sou é muito mais coletiva do que pessoal.

A geração que nasceu nos anos 1980 talvez seja a última que sabe como é ter momentos de verdadeira solidão. Aqueles em que é possível decidirmos sozinhos o que achamos de nós mesmos, que são tão importantes e que tanta gente busca hoje em dia. O famoso “tempo do eu”. Clique pra continuar lendo

Procura-se gente criativa… mas que trabalhe muito!

por Gustavo Teles | 6 fevereiro 2015

Essa semana um post na fanpage da Perestroika me saltou aos olhos. (E não, eles não estão patrocinando esse post). Era sobre 3 vagas de trabalho para a unidade deles em Porto Alegre. As vagas são Redator, Analista de Social Media e Produtor de Conteúdo. Pra você se considerar um candidato para um desses cargos é claro que você precisa ter determinadas skills.

A imagem utilizada para ilustrar a mensagem não poderia ser melhor: são 4 soldados e 1 criança nos ombros do soldado do meio. Eu imagino que os candidatos devam se identificar com esse soldado do meio. É o pilar de sustentação de uma “corporação” ou, quem sabe, de uma mera pose criativa para uma foto. Whatever!

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Esse post trouxe à tona um pensamento que tenho em relação aos criativos internéticos desse nosso Brasil. Gente que aprendeu a internet por livre e espontânea obrigação. E gente que teve a internet como berço de sua educação. Geração de 80. Geração de 90. E por que não dizer, geração de 2000? Não vou tentar rotular Geração X, Y, Z, Millenials etc… dando um Google você encontra um excelente texto para cada uma delas.  Clique pra continuar lendo

Não é YouTube, é Vimeo!

por Wagner Martins | 30 janeiro 2015

Os vídeos do YouTube são produzidos por conta de seu potencial de audiência e isso é nivelar por baixo. O mundo precisa de conteúdos menos motivados pela cabeça do departamento comercial.

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A programação da HBO entrega sem falhas a promessa do seu famoso slogan: “Não é TV, é HBO!”. Trata-se do mais antigo serviço de TV por assinatura do mundo e entender porque a HBO nasceu e cresceu vai te ajudar a entender porque o desenvolvimento do Vimeo é uma bela aposta pro mundo Pós-TV.

Amadureci essa ideia no fim do meu primeiro mês sem TV e, como faço todas as semanas neste reality show não televisionado, estou aqui para compartilhar o que existe no mundo fora das grades.

Assim como a HBO, o Vimeo abriga vídeos com qualidade artística e técnica superiores. Ambos também dão guarida para conteúdos controversos e com baixo potencial comercial. Tudo porque quem paga a conta não é o anunciante, mas sim o espectador. E isso, meus amigos, faz toda a diferença.

Nada contra o YouTube e seu modelo construído em torno de anúncios (lembrando aqui que eu trabalho com isso!). Ele está sustentando cada vez mais criadores talentosos e transformando o conteúdo que consumimos. Comparado com TV convencional, já é um grande avanço. Mas, convenhamos, decidir se algo deve ser produzido por conta de seu potencial de audiência é nivelar por baixo. Clique pra continuar lendo

O que o futuro da TV pode aprender com o passado do celular?

por Wagner Martins | 27 janeiro 2015

“SmartTV” não é só sobre ter YouTube e Netflix já integrados no seu aparelho. É sobre quebrar o controle absoluto que as “donas das redes” de cabo possuem sobre o que você pode ou não pode assistir.

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Quarta semana de 2015, o ano em que cada vez mais pessoas vão perceber que o oligopólio de distribuição de conteúdo em vídeo está com os dias contados. É uma questão de tempo. De muito pouco tempo.

Não sei se vocês lembram, mas há poucos anos atrás (menos de uma década), nossos celulares não eram “smart”. E entendam como “smart” o fato de um dispositivo estar conectado de uma maneira minimamente decente com a internet. Isso acarretava em aberrações mercadológicas que hoje são impensáveis: pagar R$ 4,90 por ringtones e SMS com “notícias do seu time”, pagar para enviar mensagens de texto pros amigos e precisar usar uma interface e aplicativos ridículos da operadora para acessar a então nascente internet móvel.

Aí o celular ficou “smart”. E o que aconteceu em pouquíssimo tempo? Não se paga mais por SMS pra operadora, só usamos Whatsapp e similares. Não se paga mais por conteúdo pra operadora. Não é mais necessário usar o navegador e os aplicativos toscos da operadora. As “donas da rede” perderam o controle sobre estes “serviços de valor agregado”. O acesso de outros provedores de conteúdo e serviço ao seu aparelho celular foi liberado e a vida de todo mundo melhorou. As operadoras hoje fornecem o tráfego de dados e ponto final.

O mesmo vai acontecer com a TV.

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A resposta da escola que usou Macbook no lugar de iPad me fez pensar

por BIA GRANJA | 23 janeiro 2015

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Você acompanhou o meme do dia de ontem aqui na interwebz, né? A SIEC, uma escola do interior do estado de Minas Gerais, divulgou uma porção de peças publicitárias em sua fanpage com imagens dos seus alunos segurando o que seria um iPad… seria, porque o gadget era, na verdade, um Macbook Pro. A gafe virou meme, saiu em todo lugar e o resto da história você já sabe.

A 1a vez que a gafe da escola chegou até mim foi através de um post no Entusiastas da Social Media, grupo no Facebook que tem mais de 16 mil membros atualmente e que dedica a maior parte das suas postagens à gongar as ações de mídias sociais dos outros. A do SIEC já tava memetizando quando eu vi no Entusiastas pela manhã, fiz um post no Twitter do youPIX e segui a vida.

Postagens como essa da SIEC são bem frequentes no grupo. Eu raramente destaco esse tipo de coisa no youPIX ou nas minhas contas pessoais por dois motivos: 1) elas são MUITO frequentes e 2) porque são, na maioria das vezes, irrelevantes – já que o povo do Entusiastas transformou a patrulha ao post alheio em um tipo de esporte que na maior parte das vezes não agrega em nada e só gera crise mesmo lá dentro do próprio Entusiastas.

Quando eu vejo algo do tipo, fico acompanhando pra ver se vai virar algum meme e, quando vira, nós aqui do youPIX fazemos o registro na Memepedia, a única enciclopédia de memes que tenta registrar a cultura viral da internet brasileira. Digo que a gente “tenta” porque faz alguns anos que a cultura memética se tornou extremamente nichada e, com esforços apenas da nossa redação, ficou bastante difícil de documentar tudo o que rola. Por isso mesmo abrimos um pedido de colaboração (por favor, colabore), pra que essa enciclopédia seja colaborativa e realmente retrate a variedade e diversidade que existe na cultura de internet hoje.

Como toda enciclopédia, não cabe a nós julgar os valores morais de cada meme que aparece. Nosso papel, é documentar o que acontece pra que se tenha um registro dessa cultura… e só. Mas alguns episódios já nos fizeram pensar bastante sobre a responsabilidade que essa necessária isenção traz. Clique pra continuar lendo

O paradoxo da liberdade de expressão no Facebook

por RENATO ALT | 20 janeiro 2015

O Facebook é como um “Feitiço do Tempo” online: todas as discussões estão presas em um eterno “hoje”. 

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Não importa sobre o que é seu post.

Alguém, em algum momento, vai dizer que é racista, sexista, extremista, de mau gosto, homofóbico, retrógrado ou qualquer outra coisa que ajude a desqualificar o seu ponto de vista para, em seguida, impor o próprio.

Muitas vezes, nem mesmo para isso.

Se a citação vem da revista Veja, o argumento não vale “porque é Veja”. Se vem da Carta Capital, também não vale “porque é Carta Capital”. Se é seu próprio ponto de vista, bom… quem é você para falar sobre isso?

A velocidade com que qualquer assunto rapidamente transforma-se em uma discussão descabida é assustadora. Hoje é fácil perceber que a maioria das pessoas começa a consumir um conteúdo já buscando nele as falhas a apontar. Se não é o caso de haver falhas, essa raiva aparece na forma do xingamento puro e simples. Exagero? Dê uma olhada, por exemplo, nos comentários de qualquer vídeo no Youtube; há discussões acontecendo há anos, literalmente.

Esse ambiente online, onde cada vez passamos mais tempo, mantém os ânimos exaltados quase que permanentemente. Afinal, se depois de séculos alguém resolve contrariar uma opinião da qual você nem mesmo se lembrava (e que pode até ter mudado), tudo recomeça. É como um “Feitiço do Tempo” online: todas as discussões estão presas em um eterno “hoje”. Clique pra continuar lendo