Feministas de internet, sim! Onde mais nós estaríamos?

por Luíse Bello | 18 dezembro 2014

Somos “feministas de internet” simplesmente porque somos a geração da internet. O palanque é a web, mas os efeitos são extremamente reais.

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É curioso como, pra desmerecer alguém e vencer uma discussão, às vezes as pessoas perdem até o contato com a realidade. Não preciso reforçar pra nenhum dos leitores do youPIX a importância da Internet – a própria existência desse portal assinala o quanto a cultura da rede é grande, poderosa e particular, sendo necessários sites como este para explicar a natureza dos fenômenos que surgem na rede a todo momento.

Tudo acontece tão rápido que, se a gente passa uma semana offline, já ficamos por fora de assuntos e piadas que se tornam tema de conversas do mundo real. Não existe novela hoje em dia que seja capaz de, sozinha, lançar um bordão como “Meu óculos, ninguém sai“.

Entretanto, o poder da web vai muito além da cultura pop. As primaveras revolucionárias que derrubaram ditaduras no mundo árabe começaram nas redes sociais e, independentemente dos objetivos ou resultados alcançados, as maiores manifestações populares do Brasil em mais de 20 anos também tiveram início nelas.

E eis que um dos assuntos mais falados na rede em 2014 foi o tal do feminismo. Em todo lugar, com uma impressionante regularidade, pipocaram assuntos relacionados ao tema e movimentos de resistência a opressões que, antes, passavam despercebidas. O feminismo não é nenhuma novidade, mas definitivamente se popularizou e, como tudo o que faz sucesso, também recebeu duras críticas – nada de novo por aqui também. Clique pra continuar lendo

Manifesto em defesa do pau de selfie

por Rebiscoito | 17 dezembro 2014

Há algumas semanas vi um post da Bia Granja no Facebook falando mal de quem usava pau de selfie. Apesar de ter preguiça de postar minha opinião nos comentários de posts polêmicos, resolvi perder um tempinho para falar o que eu achava dessa grande invenção da humanidade. Desde então, comecei a ver uma enxurrada de posts nas redes sociais falando mal do pobre coitado e também das pessoas que usam ele.

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Tá rolando praticamente um culto de ódio ao pau de selfie, sentia que estava sofrendo bullying por usar, daí percebi que meus singelos comentários de defesa não seriam o bastante, por isso resolvi escrever esse manifesto. Afinal, eu comprei um pau de selfie muito antes dele virar hype no Brasil, ainda chamava “selfie stick” ou, carinhosamente, “GoPobre”, e acho que ele merece ter seu devido valor reconhecido. Clique pra continuar lendo

2014 e a vitória da egolatria, do Twitter e dos haters

por Wagner Martins | 15 dezembro 2014

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Em 2014 eu li, assisti, cliquei ou ouvi em algum lugar que saudade não é apenas um sentimento de apego a algo bom que aconteceu no passado. Também pode se aplicar a um apego a algo que poderia ter acontecido, mas não aconteceu.

Domingo, 13 de Julho deste ano bipolar, poderia ter levado a internet para um outro nível. O Brasil, hexacampeão, em cima da Argentina, exorcizando com classe o demônio de 1950 e gerando o maior #chupa já visto no Twitter. Twitter que, de longe, foi a rede que protagonizou a festa. E depois de uma Copa dessas ainda dizem que Twitter está morrendo. Foi por pouco, Twitter. Um vento sudoeste que bateu do nada e estragou a festa.

Um outro domingo, 5 de outubro deste ano verborrágico, poderia ter levado a internet para um outro nível. O Brasil, que ainda engatinha nos conceitos de democracia, poderia ter dado mais votos para Eduardo Jorge. As discussões de Facebook poderiam ter levado ao segundo turno um candidato com um compromisso de rediscutir o modelo político com o qual estamos comprometidos. De responder de peito aberto a todos os “haters” que tanto poluíram a rede com imbecilidades. Um candidato que não recebeu apoio ou financiamento de grupos de mídia tradicionais, apenas de alguns loucos da internet. A discussão foi boa, Facebook. E te agradeço muito por ter me feito descobrir amigos que pensam igual e outros que pensam diferente de mim. Foi por pouco, Face. Mas, sem dúvidas, as eleições foram suas. Clique pra continuar lendo

Estar no Facebook é o maior símbolo de submissão ao status quo que temos hoje

por Ana Freitas | 15 dezembro 2014

Não ter Facebook é passar atestado de weirdo, como costumava ser quando alguém se recusava a comer no McDonald’s por julgá-los imperialistas opressores.

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#SomosTodosCordeiros

 

Quando eu estava no colégio, o maior ato rebelde que uma adolescente de condomínio como eu podia cometer era se vestir de preto e usar broches da anarquia, anti-McDonalds e anti-Bush. Se eu fosse uma adolescente nos anos 2010, o jeito mais eficiente e contundente de me posicionar ~contra o sistema~ seria ficar de fora do Facebook. Sendo assim, por que não vemos uma porção de jovens rebeldes saindo da rede social? Por que essa medida não é tão popular?

Não existe hoje símbolo maior de submissão ao status quo do que pertencer ao Facebook (e tá tudo bem). Estar no Facebook é assinar um contrato que garante a entrega informações pessoais de extensão inestimável, mas valor perfeitamente estimável, sobre a sua vida em troca do uso de um serviço de mensagens, produção e consumo de conteúdo. Nada pode ser mais ‘soldado do sistema’ do que isso. Clique pra continuar lendo

Coitada da TV

por ROSANA HERMANN | 10 dezembro 2014

Para onde vai a TV? O que vai acontecer com essa indústria quando todos (ou quase) os habitantes do planeta estiverem conectados na Internet? Vamos conviver com todas as telas, vamos produzir nossas emissoras, vamos comprar espaço baratinho? Ou as emissoras vão voltar a transmitir tudo ao vivo, como antes de existir o “Video Tape”? Por que tantos fazem vídeos verticais? Não sei as respostas, mas adoro pensar nessas perguntas.

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Video Tape. Tssc. Não tem mais “tape”, não tem fita, não tem suporte material. Vídeo tem, mas é arquivo digital; captado, veiculado, arquivado, compartilhado, reproduzido digitalmente. O que ficou foi o hábito de dizer “Roda o VT” na TV. A materialidade está desaparecendo, como as publicações em papel, as fotos impressas, a música e o vídeo em mídias plásticas. Até o dinheiro virou imaterial: seu salário cai no banco e aparece como um valor em sua tela, pra você transacionar na mesma tela ou pagar com cartões de plástico com chip. Ninguém vê mais a cor do dinheiro.

Na era A.I., antes da Internet, existiu a Monarquia da TV, quando a televisão aberta reinava soberana, majestosa, como uma Rainha de Copas que cortava a cabeça de quem não a obedecia. Hoje, a TV aberta é que está sendo decapitada pela guilhotina da concorrência, preterida e relegada a segundo plano, ou melhor, segunda tela.

Sim, sim, a TV no Brasil ainda tem reconhecimento e poder, é reverenciada por seus súditos, dominada por famílias da realeza. Porém, a TV no Brasil virou uma Rainha da Inglaterra. Não que seja só pra inglês ver, porque são milhões de brasileiros que assistem TV todos os dias, mas há outras siglas de 2 caracteres competindo com ela o tempo todo. A TV divide espaço com o FB, o IG e o YT.

O Facebook ainda é um misto de mural com email aberto, cheio de PPTs em anexo, sempre fazendo de tudo para incentivar sua plataforma de vídeos. O problema do Facebook é sua missão. Enquanto o Google quer ser o maior buscador, que rastreia, organiza e oferece em forma de resultados ordenados, toda a informação do mundo, o Facebook quer apenas dominar o mundo. Ou melhor, ser dono do mundo, pra poder loteá-lo e alugá-lo pra toda gente. O FB é o centro das atenções, mas ainda não compete com a TV.

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Aplicativos pra conhecer gente e a felicidade que não existe

por Neto | 24 novembro 2014

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Algumas pessoas sofrem de auto-estima exagerada.
Amor próprio superdimensionado.
Pessoas que saem sorrindo até em raio-x de fratura de crânio.
Gente que toma choppinho no fim da tarde.
Gente que viaja no final de semana.
Que faz jogging pela manhã.
Fujo deles como vampiro do alho.
Aliás, por falar em alho, se tem uma coisa que afasta as pessoas de mim é uma bela porção de alho frito na manteiga Aviação. Mas isso é para outro post.
Ninguém com bom senso, ninguém que leia o maldito jornal, uma vez por semana que seja, tem tanto motivo para ser feliz.
Cogito, ergo patior.
Penso, logo sofro.
Esses aplicativos para se conhecer pessoas são um bom lugar para encontrar gente feliz. Clique pra continuar lendo

Já experimentou o novo Facebook?

por BOB WOLLHEIM | 21 novembro 2014

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Faz pouco tempo, o Facebook acrescentou um novo feature que já vinha sendo testado faz algum tempo: o upload de vídeos nativos na rede social. A novidade nem é tão novidade assim, faz tempo que é possível embedar vídeos na plataforma, mas os efeitos, me parecem, foram enormes.

Diria até que esse feature mudou o Facebook radicalmente. Explico.

Outro dia, dando aquela navegada geral no final do dia para ver o que estava rolando com meus amigos, ler as fofocas, saber dos memes do dia, acompanhar as fights (somos humanos! – hehe) e outras atualizações… constatei que, mesmo depois de meia hora de navegada, eu continuava sem saber quase nada dos meus amigos, nem das fofocas e muito menos das fights, e tinha ficado o tempo todo só vendo vídeos, alguns novos, dezenas de antigos, que estavam sendo postados aos milhões na plataforma!

Ok, eu não tinha desligado o auto-play, o que fiz na sequência, e resolvi observar a minha navegação nos dias seguintes mas… Clique pra continuar lendo

[Impressão Digital] A guerra do áudio

por Alexandre Matias | 19 novembro 2014

Não é só no terreno do vídeo online que as coisas estão se mexendo rápido – a guerra do áudio transforma o YouTube em rádio, põe o futuro de serviços de streaming de música em xeque e vai muito além de artistas, clipes e gravadoras

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É comum nos esquecermos do YouTube. O site já está tão introjetado em nosso inconsciente que, como seu comprador, o Google, quase não lembramos de sua importância quando precisamos usá-lo. Da mesma forma que procuramos no Google qualquer dúvida corriqueira – um endereço, o jeito de soletrar um nome, o diretor daquele filme -, entramos no YouTube sempre que precisamos procurar qualquer registro em vídeo sem sequer pensar que estamos no YouTube. É o segundo buscador mais utilizado da internet – ele só perde para o próprio Google.

Por isso que o Facebook fez tanto alarde quando ultrapassou o YouTube em vídeos mais assistidos em desktops, trazendo à tona a tal “guerra do vídeo” que mencionei na coluna anterior. Pode ser uma trapaça do Facebook com nossa conivência (afinal basta rolarmos a timeline para que os vídeos do site de Mark Zuckerberg comecem a tocar, enquanto no YouTube ainda precisamos apertar o play), mas é algo que mexeu justamente com o fato de termos associado vídeos na internet com o YouTube.

Mas o YouTube não é só vídeo e na semana passada ele também nos lembrou disso, ao lançar o YouTube Music Key. O serviço nos lembra que o YouTube é também a maior rádio do mundo, além de um substituto prontinho para virar a nova MTV. Ao criar uma aba que separa conteúdo em vídeo de conteúdo musical, ele discretamente acena para nos mostrar que não são o maior canal de vídeos do mundo apenas – são o maior site de streaming que existe (para todo tipo de conteúdo) e com um modelo de negócios bem definido. Clique pra continuar lendo

Kim Kardashian e a capa da Paper: servir bem para servir sempre

por Juliana Cunha | 14 novembro 2014

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Bunda de Kim Kardashian na Paper Magazine pode ter quebrado a internet, mas dificilmente quebra paradigmas. A pose equilibrando uma taça de champagne no traseiro que ilustra a capa da revista é uma referência direta à foto “Champagne incident”, feita pelo mesmo fotógrafo, Jean-Paul Gourde, em 1976 e publicada no livro “Jungle Fever”, cuja capa traz Grace Jones, uma mulher negra, de quatro, mostrando os dentes dentro de uma jaula minúscula.

Na foto de 1976, a modelo negra Carolina Beaumont aparece nua (acima). Já Kim, que é descendente de armênios e casada com um negro, aparece coberta de pérolas e paetês. Enquanto a nudez destituída de Beaumont parece representar a posição servil da mulher negra, as joias e as roupas de Kim mostram que dinheiro e pele clara não resolvem o problema das minorias e que um corpo feminino “exótico” ainda merece escrutínio público. Que o mesmo fotógrafo tenha tido a pachorra de recriar sua pérola racista 38 anos depois mostra o quão pouco o debate racial e de gênero avançou na imprensa mainstream. Clique pra continuar lendo

Como a blogalização é importante para a globalização

por Diego Remus | 12 novembro 2014

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Group of Business People Working on an Office Desk

World Wide Web, weblog, blog, blogar. A gente manja disso. Já os economistas, governantes e empresários manjam de globo, global, globalizar, globalização, termo que surgiu há poucas décadas, junto com a web, e costuma ser explicado como a conexão mundial entre os mercados e culturas.

O que pouca gente comenta é que a globalização é um movimento que espalha produtos, serviços, a economia e o desenvolvimento dos países mais desenvolvidos para os menos desenvolvidos. É uma força importante para difundir a inovação. Também, a globalização faz uma coisa chamada de inovação reversa, que acontece quando a inovação é gerada em países economicamente menos desenvolvidos e levada para o mundo, inclusive para os países mais desenvolvidos.

Pois bem: como seria possível que o mundo soubesse de novos produtos, serviços, tendências e fatos sem um meio ágil e eficiente? Estou falando de meio de comunicação, de mídia. E nenhum “meio ambiente de ideias” é mais eficiente do que a web para espalhar conteúdo através do tempo e do espaço. Afinal, tudo fica disponível de forma fácil em qualquer lugar (bem, nem sempre na China, que tem suas burocracias tecnológicas e políticas mais restritas) e a qualquer momento.

Temos então os geradores de conteúdo da web como um verdadeiro motor de conhecimento (tanto no sentido mais raso do termo quanto no mais profundo). Nós todos que blogamos e compartilhamos somos o braço direito dos motores de busca, somos as pessoas-chave para as palavras-chave. Somos uma força ativadora e enriquecedora da globalização: nós fazemos a blogalização!

Nós ajudamos o mundo a saber sobre si. Empresas, sociedades, comunidades não teriam uma globalização tão forte sem o nosso trabalho. A comunicação que fazemos é um vetor econômico da globalização. E por isso é tão do caralho!