Narcisistas, preguiçosos e gente boa: conheça a geração Me Me Me

por youPIX | 9 maio 2013

É bem possível que a essa altura você já tenha visto passar pela sua TL a capa mais recente da revista Time. Mas só em caso do seu feed andar meio desatualizado, vamos te dar um F5 amigo:

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Não, não se trata exatamente da geração #mimimi. Mas desse “Me Me Me” das fotos de espelho de elevador no Instagram, de oversharing no Facebook e de pessoas sentadas em uma mesa de bar imersas em seus respectivos smartphones. Ou, para ser mais específico, a chamada geração Millennials, uma evolução de grupos anteriores: baby boomers, X e Y.

Na extensa matéria de Josh Sanburn na revista, várias pesquisas são cruzadas e especialistas (muitos deles psicólogos) são entrevistados ~por motivos de~: tentar entender qual é o perfil dessa geração e que o nosso presente/futuro tem a ver com isso. Descrita no texto como uma geração tão excitante quanto ameaçadora, os Millennials são uma realidade que, daqui pra frente, tende a mudar completamente a maneira como as pessoas convivem em sociedade.

Algumas conclusões são realmente assustadoras reveladoras e tentamos elencar as principais aqui:

Quem são: Pessoas que nasceram entre 1980 e 2000 (ou que nasceram em qualquer outra época, mas vão se identificar completamente com as características abaixo)

Como são:

  • Narcisistas: Há quem diga que o mundo nunca mais foi o mesmo depois que a quarta geração de iPhones lançou aquela câmera frontal em que você pode se fotografar/filmar olhando sua própria imagem. Pois bem, a principal qualidade dessa geração é a necessidade de autoexposição aliada à um narcisismo que veio, sim, de seus pais. Explica-se: as crianças que nasceram nesses últimos anos foram, muito mais do que outras gerações, expostas a uma cultura de valorização da autoestima. Mas o excesso de autoestima, aliado a tecnologias que permitem e estimulam a autoexposição, está criando pequenos monstrinhos envolvidos demais em si próprios. Além disso, essa é uma geração que cresceu assistindo a reality shows, que são basicamente documentários fictícios sobre pessoas… narcisistas. São jovens, portanto, “treinados para verem suas próprias vidas como se ela fosse um grande reality show”. E mais: esse narcisismo precisa ser reconhecido. Sem “likes” na foto a vida não faz sentido…
  • Preguiçosos: Em 1992, nos Estados Unidos, 80% das pessoas abaixo dos 23 anos queriam ter um emprego de grandes responsabilidades. Em 2002, esse índice baixou pra 60%. Ainda não foi concluída essa mesma pesquisa em 2012, mas há grandes chances desse percentual ser ainda muito menor hoje. De uma maneira geral, essa é uma geração que acredita que, no fim, “tudo vai dar certo” e que por isso não é preciso fazer muito esforço para que as coisas aconteçam. Sem contar que essas são pessoas que, como nasceram já usando o computador, não precisaram mais decorar a tabuada para fazer cálculos ou tirar aquela pesado volume da Barsa da prateleira para achar um texto sobre “formações vulcânicas”.
  • Gente boa: Segundo Shane Smith, CEO da Vice, a internet costumava ser 50% positiva, 50% negativa. Hoje ela é 90% positiva, 10% negativa. Ainda que essa seja uma impressão pessoal – e bastante discutível – de quem trabalha diretamente com essa geração, é consensual que os Millennials são pessoas mais #deboa com as diferenças e minorias.
  • Alienados: Segundo as pesquisas usadas pela Time, essa é uma geração que, entre todas aquelas do mundo pós-moderno, é a quem tem menos engajamento civil e menos participação política no mundo. Um dos grandes fatores dessa falta de preocupação social se deve à ausência de contato entre essa geração e pessoas mais velhas ou “sêniors”. Nos EUA, há uma média de 88 mensagens de texto compartilhadas, por dia, entre jovens. Mas segundo a pesquisa, essa comunicação acontece sempre com pessoas da mesma idade. Deixando de ser influenciada pelos mais velhos, os Millennials não conseguem criar pensamento reflexivo e massa crítica como gerações anteriores. Mas aí você pergunta: e a galera do #OccupyWallStreet? E a Primavera Árabe? No que o texto responde: são revoluções que, em razão dessa apatia global, têm cada vez menos chances de dar certo. Pessimista? Sim ou Com Certeza?
  • Ansiosos: Completamente dependentes de gadgets, os Millennials estão começando a desenvolver novas doenças de ansiedade, tais como uma conhecida como a Síndrome da Vibração Fantasma. Já falamos disso aqui. Ou seja, estamos falando de pessoas que não conseguem mais viver sem seus smartphones e criam uma dependência tão grande da comunicação nesses aparelhos que começam a sentir chegar mensagens que nunca vieram. 70% dessas pessoas checam seu telefone pelo menos uma vez a cada hora.

No resumo da ópera, o texto da Time diz que os Millennials são, na essência:

  • Otimistas
  • Abraçam o sistema
  • Mais pragmáticos, menos sonhadores
  • Vivem em um mundo sem grandes líderes políticos
  • Mas são obcecados por celebridades
  • Acreditam em Deus, mas não são chegados à ideia de religião (porque não se identificam com nenhuma grande instituição)
  • Sofrem de um medo agudo de estarem desatualizados (aquela história da FOMO que já falamos aqui)
  • São bem informados, mas inativos
  • Amam seus smartphones, mas não gostam muito de falar neles

 

 

Pontos positivos:

O jornalista e escritor Tom Brokaw, um dos entrevistados da matéria, acredita: é essa geração que vai “nos salvar”. E por que? Porque, segundo ele, são essas pessoas que estão achando novas e melhores maneiras de fazer as coisas. E, sobretudo, elas abraçam muito rapidamente a economia. E é por isso o emprego dos sonhos de muita gente hoje é criar um app popular ou uma nova rede social que vai abalar Paris em chamas.

Se viu representado em algumas dessas características? A gente tá aqui deste lado apostando que sim…

Quem escreveu:

youPIX / @youpix

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