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A ANGÚSTIA DE DRUMMOND E O INFINITO PERDIDO DA INTERNET

por ALEXANDRE INAGAKI | 16 agosto 2011

Você já passou pela angústia paralisante de abrir o navegador, entrar no Twitter ou outra rede social e, em questão de alguns cliques, se ver perdido em meio à barafunda de informações que pulam no monitor, a ponto de você esquecer o que ia fazer, emaranhado na biblioteca de Babel da internet? Pois saiba que essa sensação não é novidade.

Em 1944, Carlos Drummond de Andrade escreveu: “A ideia de que diariamente, a cada hora, a cada minuto e em cada lugar se realizam milhares de ações que me teriam profundamente interessado, de que eu certamente deveria tomar conhecimento e que entretanto jamais me serão comunicadas, basta para tirar o sabor a todas as perspectivas de ação que encontro à minha frente. O pouco que eu pudesse obter não compensaria jamais esse infinito perdido”.

Eu, que tenho 11 livros do Drummond, só vim tomar conhecimento desse texto por causa de um post do Felipe Savone. Aliás, li seu blog graças a um item compartilhado no Google Reader por uma das pessoas que sigo por lá, fazendo um fundamental trabalho de curadoria em meio a 48 horas de vídeos enviados a cada minuto no YouTube, 200 milhões de tweets publicados diariamente e 30 bilhões de conteúdos compartilhados por mês no Facebook.

Como não endoidecer nem sucumbir à sensação frustrante de que você pode estar perdendo algo incrível, sensacional, maravilhoso? Agregadores de feeds e sites como o favstar.fm, que destacam os tweets mais favoritados do momento, ajudam. Mas o segredo fundamental é zenbudizar a internet. Ou seja: pratique o desapego. As informações realmente imperdíveis acabarão por chegar às suas mãos, do mesmo modo que a crônica de Drummond me surgiu quando eu matutava sobre o assunto. Faça isso, ou você ficará com a canção dos pôneis malditos na cabeça! #FoiRaquer

Alexandre Inagaki é recordista mundial de abas abertas simultaneamente no Firefox, e acha estranho sentir saudades de sites que mal visitou ou evitava clicar.

Quem escreveu:

ALEXANDRE INAGAKI / @inagaki

Alexandre Inagaki escreve em www.pensarenlouquece.com e @inagaki
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Comentários:

“memepedia”