2014 e a vitória da egolatria, do Twitter e dos haters

por Wagner Martins | 15 dezembro 2014

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Em 2014 eu li, assisti, cliquei ou ouvi em algum lugar que saudade não é apenas um sentimento de apego a algo bom que aconteceu no passado. Também pode se aplicar a um apego a algo que poderia ter acontecido, mas não aconteceu.

Domingo, 13 de Julho deste ano bipolar, poderia ter levado a internet para um outro nível. O Brasil, hexacampeão, em cima da Argentina, exorcizando com classe o demônio de 1950 e gerando o maior #chupa já visto no Twitter. Twitter que, de longe, foi a rede que protagonizou a festa. E depois de uma Copa dessas ainda dizem que Twitter está morrendo. Foi por pouco, Twitter. Um vento sudoeste que bateu do nada e estragou a festa.

Um outro domingo, 5 de outubro deste ano verborrágico, poderia ter levado a internet para um outro nível. O Brasil, que ainda engatinha nos conceitos de democracia, poderia ter dado mais votos para Eduardo Jorge. As discussões de Facebook poderiam ter levado ao segundo turno um candidato com um compromisso de rediscutir o modelo político com o qual estamos comprometidos. De responder de peito aberto a todos os “haters” que tanto poluíram a rede com imbecilidades. Um candidato que não recebeu apoio ou financiamento de grupos de mídia tradicionais, apenas de alguns loucos da internet. A discussão foi boa, Facebook. E te agradeço muito por ter me feito descobrir amigos que pensam igual e outros que pensam diferente de mim. Foi por pouco, Face. Mas, sem dúvidas, as eleições foram suas. Clique pra continuar lendo

Perfil de Zuckerberg é o novo scrapbook da Katilce

por Ana Freitas | 12 dezembro 2014

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Tem algo de esquisito acontecendo no perfil de Mark Zuckerberg no Facebook. Não se sabe exatamente porque, mas um bando de usuários brasileiros decidiram dar ao fundados do ~Face um gostinho do hue hue br. Desde o início da tarde desta sexta, posts como um em que Mark se declara vegetariano, o post que marca seu casamento e até esse, aqui embaixo, em que ele declara ser um doador de orgãos, estão sendo bombardeados com comentários de brasileiros frenéticos. Na verdade, uma olhada rápida pelo perfil dele vai mostrar que poucos posts escapam. As mensagens, a maioria fotorrespostas, não têm unidade nem fazem nenhum sentido, como só a boa zuera nacional consegue fazer. Clique pra continuar lendo

10 tuítes que relatam a morte do Orkut

por Pedro Katchborian | 30 setembro 2014

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O Orkut está vivo. Pelo menos no Twitter. Criado ontem, o perfil Orkut Oficial já tem mais de 8 mil seguidores e relatou o doloroso fim da rede social, além de contar como está sendo a vida após a morte do site. Sim, ele tem feito bastante coisa.

Se liga:

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Infográfico do dia: Orkut — a primeira grande rede social a gente nunca esquece

por Pedro Katchborian | 30 setembro 2014

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O Orkut está morto. A rede social chegou ao fim e agora você só pode ver o museu de comunidades que foi criado após o falecimento do site.

Dando sequência as homenagens, a Iinterativa fez um infográfico bem legal, que fala sobre as principais características do Orkut, como foi a reação quando ficamos sabendo que ele iria acabar e outras redes sociais que também tiveram este triste fim.

Veja: Clique pra continuar lendo

Minha história sobre o Orkut: Clara Averbuck

por Clara Averbuck | 29 setembro 2014

Houve uma época em que eu era movida a romance. Precisava pra escrever, pra criar, pra me sentir viva. Eis que então eu tinha um muso. Escrevi boa parte dos meus textos pra ele, meu muso, um professor de literatura que nunca teve coragem de publicar, mas me mandava as coisas mais lindas que já disseram a meu respeito.

Coisa de jovem, também, acreditar no que um poetinha fala. Um dia, em 2002, ele mandou um email por causa de um post sobre John Fante que eu escrevi no meu primeiro blog, o brazileira!preta, e eu me apaixonei. Foi assim que nos conhecemos, assim que eu era aos vintepoucos: me apaixonava pela primeira linha de um email de um desconhecido com talento com as palavras.

Só que essa paixão toda durou anos, passou por casamentos, crises, reviravoltas, decaiu, ressuscitou e virou amizade, uma das maiores da minha vida. Virou também livro: o moço em questão serviu de inspiração para um personagem, além dos muitos textos.

E o que o Orkut tem com isso?, você deve estar se perguntando.

Bom, o depoimento que eu deixei pra ele entrou no Nossa Senhora da Pequena Morte, meu livro-objeto de artista em parceria com a maravilhosa Eva Uviedo. Ei-lo, em duas versões: original e desenhada:

um metro e oitenta
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Símbolo de uma era, Orkut democratizou a internet no Brasil

por BIA GRANJA | 29 setembro 2014

O Orkut foi a porta de entrada da internet para o brasileiro. Na época em que ele se tornou popular, 82% dos usuários de internet do nosso País tiveram sua primeira experiência online graças ao Orkut e exclusivamente para usá-lo, diz a FGV. O que isso significou foi tão poderoso quanto chocante. Poderoso pois foi o primeiro canal de expressão e criatividade do brasileiro no mundo online, chocante porque revelou pra elite brasileira um País que não conhecia.

Naquela época, da web 1.0, a internet era vista como um canal de livre expressão, mas o fato é que, no Brasil, essa característica só foi mesmo aproveitada pelos usuários quando chegou o Orkut. Até então, a informação ainda era controlada por poucas famílias que do mundo offline passaram a ser donas de portais na web. A outra ferramenta que existia para dar voz ao público, os blogs, era intimidadora para a maioria.

As pessoas queriam falar, fazer parte da revolução. Assim, quando o Orkut apareceu, foi natural que a gente ficasse enlouquecido com as possibilidades da rede. O lindo do Orkut é que ele nunca teve preconceito: do morador do sertão profundo ao cara que mora no Jardins, todos tinham ali o mesmo espaço pra preencher, fotos, scraps, comunidades, testimonials… Você não podia comprar um Orkut Gold (apesar dos hoax) e se separar do resto das pessoas. Isso trazia uma sensação de liberdade gigantesca. Clique aqui pra continuar lendo >>>

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“Sorte de hoje”: o melhor do Orkut imortalizado em um site

por Pedro Katchborian | 25 setembro 2014

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Continuemos as homenagens para o Orkut, por que ele merece mesmo. Uma das coisas mais maneiras e gente-fina do Orkut eram aquelas mensagens de Sorte do Dia. Você entrava no seu perfil pra ver os scraps e lá vinha o Orkut com aquela mensagem que ia levantar a sua auto-estima. Pra imortalizar a nossa sorte, acaba de ser lançado o “Sorte de Hoje“, um site criado pelos publicitários Edgard Kozlowski e Leila Cangussu, que vai trazer as mesmas mensagens de auto-estima que o Orkut dava.

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Orkut: o diário de uma adolescência

por Pedro Katchborian | 23 setembro 2014

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Eu demorei pra entrar no Facebook. Meus amigos já tavam lá faz um tempo e eu me negava a entrar. “É ruim. Eu não curto”, dizia. Mas a grande verdade é que eu não conseguia abandonar o Orkut. Foi difícil sair. Mesmo. Antes dele, eu não sabia muito bem como usar a internet. Lá em janeiro de 2005, eu tinha pouco mais de 12 anos de idade. As preocupações da vida eram poucas: quais eram as lições de casa e quando era a próxima prova. De resto, a vida era boa. E ficou muito melhor com a rede social.

As primeiras interações digitais com desconhecidos foram pelas comunidades. Fiz amizades, conversei, discuti…Mas o que eu lembro com bastante carinho são os depoimentos:

Eis o primeiro depoimento que recebi, do cara que me “convidou” pra entrar na rede social: Clique pra continuar lendo

Minha história sobre o Orkut: Leo Jaime

por Leo Jaime | 22 setembro 2014

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Eu fui a primeira pessoa a ter mais de mil amigos no Orkut. O cara que fez o site não imaginou que alguém pudesse ter mais de mil amigos. Talvez imaginasse que figuras públicas não quisessesm se expor ali. O fato é que eu andava “sumido” da mídia, fazendo shows em bares em SP e tendo alguma popularidade na web com meu blog, um dos primeiros a existir, tanto que o nome era Bloco de Notas.

Entrei no Orkut sem saber bem o que era e logo já tinha mais de mil pessoas esperando para serem adicionadas e o perfil lotado. Em poucos meses eu já tinha uns 4 perfis. Fui até ao Jô para falar disso.

Acho que o Orkut serviu para mostrar para a mídia que o público andava mais interessado em mim do que ela própria e isto foi o início do meu comeback.

 

 

Minha história sobre o Orkut: Alexandre Matias

por Alexandre Matias | 15 setembro 2014

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Se eu pudesse salvar uma só coisa do meu Orkut, o que seria?“, me vi repetindo para mim mesmo a pergunta que a Bia Granja me fez ao abrir meu velho profile. Tirando o azul calcinha e o logo rosa, o Orkut em 2014 é bem diferente daquele que comecei a frequentar há dez anos e que larguei entre 2008 e 2009. Entrei em comunidades idiotas que criei por puro ócio, reli todos os meus testimonials, visitei álbuns que nem minha memória lembrava, passeei por scraps de um passado que parece mais remoto do que ele realmente é. E, enquanto isso, fui teletransportado pela memória por um período de transição da minha vida que foi muito turbulento, produtivo e intenso.

A era Orkut (2004-2009) foi bem importante pra mim, pois coincidiu diferentes fases: o período em que me mudei pra São Paulo, o fim do meu primeiro casamento, a época em que comecei a me dedicar à cobertura de tecnologia e quando comecei a trabalhar como frila. O Orkut foi uma pauta que acompanhei desde o início e fui um dos primeiros usuários do Brasil (tanto que muitos “testimonials” me rotulam como “sócio do Orkut” ou coisas do tipo – quem dera…). Participei do Mídia Tática Brasil, quando John Perry Barlow e Richard Barbrook se conheceram na Casa das Rosas na Avenida Paulista e muitos dos que estavam naquele evento foram convidados pelo próprio Barlow para entrar naquele tal site novo que ninguém sabia pra que servia.

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