A opinião da blogosfera sobre o que aconteceu com a blogosfera

por BIA GRANJA | 6 fevereiro 2015

Os blogueiros tiveram que se reinventar. (…) Esses ~blogueiros sobreviventes~ tem hoje um outro tipo de posicionamento, principalmente frente aos anunciantes (que é quem paga a conta, neam?). Eles viraram referência dentro de nichos e temas específicos, são reconhecidos e influentes dentro de suas especialidades. Enquanto a fama mainstream ficou com os youtubers, assim como a audiência e, principalmente, o poder de trazer resultados impactantes pra ações de marcas“.

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Essa semana escrevi um texto aqui no youPIX questionando o papel dos blogs em um cenário onde o conteúdo em vídeo ganha cada vez mais audiência e, principalmente, a atenção e dinheiro dos anunciantes. A coluna “O que aconteceu com a blogosfera brasileira?” gerou um necessário e maravilhoso debate.

Além do tema ser amplamente discutido nas redes sociais, alguns blogs participaram da reflexão e postaram em suas páginas opiniões sobre a minha opinião. Pra manter ~a mesa redonda virtual~ viva, fiz aqui um apanhado de alguns pontos e visões publicadas em blogs ou caixas de comentário por aí. Outras tantas opiniões muito válidas podem ser encontradas a partir do blogs e comments que eu linko aqui. Quem tem interesse no assunto tem aí a chance de fazer uma verdadeira imersão. Eu recomendo!

 

Eu acho que blogs, assim como deve ocorrer com o Youtube, tiveram seu auge, caíram e hoje estão em velocidade de cruzeiro. A coisa acontece muito mais em nichos do que em variedades. Com o Youtube vai ser assim também, eventualmente“.

Comentário do Marcel Dias do BQEG no meu perfil do Facebook

 

 

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YouTube não acabou com o propósito dos blogs, muito menos o Twitter, Facebook, qualquer outra rede social, o Tumblr, o Medium, etc. Cada vez que aparece alguma coisa nova vem esse papo de “agora os blogs já eram”. Blog é uma mídia, um canal, uma ferramenta e somente isso. E enquanto blogar for gratuito (ou quase) e fácil, mais e mais pessoas criarão seus blogs todo santo dia, a plataforma mais democrática de publicação de conteúdo na Internet disponível atualmente. Video não faz sentido pra todo mundo, da mesma forma que audio não faz e podcast continua sendo algo restrito a poucos produtores de conteúdos (alguns sensacionalmente bons e não citados nesse post).

Trecho do “Nós somos a resistência” no Tecnocracia do Manoel Netto

 

 

Bia, é a proporção habitual de consumo de informação. Povo não sabe ler, não quer ler, nunca leu, não lerá. Vídeo rules como vídeo domina a briga TV x mídia impressa. Só que levado à internetésima potência. Digamos que os blogs continuarão, mas como veículos para quem sabe escrever, feitos para quem sabe ler, e portanto o nicho do nicho. Bjs!

Comentário do André Forastieri do blog homônimo no post do youPIX

 

 

A blogosfera está mais influente e profissional do que nunca. Enquanto muitos passaram a olhar apenas para os YouTubers, grandes blogs deixaram de ser sites de uma pessoa só e se tornaram organizações. Judão, Papel Pop, Hypeness, Brainstorm9 e o próprio Tecnoblog são só alguns exemplos. Deixamos de ser “Felipe Neto” e nos transformamos em “Paramakers”. Não somos a resistência, porque não estamos ameaçados de nada. Somos maiores hoje e vendemos mais publicidade do que jamais fizemos. Não somos o formato queridinho da vez, mas estamos mais populares do que nunca.

Trecho do comentário do Mobilon do Tecnoblog aqui no youPIX

 

 

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Os YouTubers estão aí? Estão. E ganharam visibilidade, vamos combinar, por conta do tio Obama, que convidou três deles para uma entrevista lá no Salão Oval. Só que produzir um canal no YT não é fácil – escrever, como lembrou o Mobilon, é muito mais fácil: você não precisa atuar, não precisa saber editar, não precisa de equipamentos. O conteúdo também é outro: o que cabe no texto, muitas vezes não cabe no vídeo.

Eu adoro, o Cid, ele é um figura. Mas ele não é resistência. Ele é o popular da sala, o cara engraçado e que soube transformar isso em negócio – e tenho vários amigos queridos que estão lá no condomínio com ele. Temos vários outros blogueiros na resistência, inclusive alguns deles estão nesta foto aí.

Se a história é falar de blogs profissionais, há MUITOS em operação. Empregam gente e vivem de publicidade. E, pasme, Bia, eles crescem todos os anos.

Trecho do “O que aconteceu com a blogosfera brasileira” no LadyBugBrazil da Lucia Freitas

PS – A foto de capa mencionada pela Lucia em seu blog foi usada apenas pra divulgação nas redes sociais e não no post do site. Algumas pessoas afirmaram que eu havia mudado a foto do post, o que não é verdade. Sei que o uso da imagem, que eu peguei aleatoriamente no Google após buscar por ações com blogueiros, fez com que ela deixasse de ser meramente ilustrativa e tornasse a discussão pessoal pra quem apareceu nela, gerando butthurts não intencionais.

 

 

A questão é que como veículos de mídia (que somos) a publicidade (ainda) não alcança. E pra fazer dinheiro a receita é conhecida: tem que ter montanhas de leitores + fazenda de anúncio – e hoje a coisa tá evoluindo pra novos rumos, que passam pelos mesmos requisitos. Muda mundo, muda internet, acaba a água e a publicidade, continua sempre a mesma.

Trecho da resposta de Lucia Freitas para um comentário em seu blog

 

 

 

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… A Bia Granja publicou no Youpix um questionamento: O que aconteceu com a blogosfera brasileira? Para ela, o YouTube a engoliu. Essa conclusão me é difícil de entender. É como dizer que Gabriel García Márquez ou Machado de Assis foram fracassados porque só escreveram livros, e que Uma Educação, roteirizado por Nick Hornby, é melhor que seus livros, como Um Grande Garoto e Alta Fidelidade — o que, ainda que aquele seja um bom filme, não é verdade.

São mídias diferentes. Laranjas e maçãs

Trecho do “Blogs estão com os dias contados? Velho debate, mesma resposta” no Manual do Usuário do Ghedin (que tbm traz uma discussão interessante sobre o que define um blog: tecnologia + cronologia de postagens ou conteúdo autoral feito por um indivíduo?).

 

 

Bia, o blog-diário, o blog-cabeça e o blog de humor encontraram no Facebook e no Youtube plataformas mais apropriadas. Mas os blogs de informação e serviço que são bons no que fazem continuarão relevantes, pelo menos enquanto não invetarem um jeito de organizar informação no Facebook, no Youtube ou no Instagram. Depois de dois anos crescendo pouquinho (eu achava que o mercado já tava maduro), o Viaje na Viagem explodiu agora em janeiro, com aumento de 60% de audiência com relação a janeiro de 2014; fevereiro está seguindo pela mesma régua. A grande maioria do público não me segue, nem sabe quem eu sou; o Face do blog é irrelevante (porque a gente não fica traficando frase de pára-choque de caminhão sobre foto de pôr do sol); mas quando as pessoas procuram informações pra viagem, o Google manda elas pra cá. Eu vou até entrar no Youtube esse ano, mas a idéia é tornar o blog mais multimídia, e não transferir interação pra outra plataforma. Acho que o teu diagnóstico é sobre um tipo de blog que funciona melhor em vídeo do que por escrito.

Trecho do comentário do querido Riq Freire do Viaje na Viagem aqui no youPIX

 

 

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… se o “blogueiro de ontem é o youtuber de hoje”, basicamente o que temos é uma migração desse comportamento pretensamente profissional para outra ferramenta… Qual o peso disso, afinal?

O artigo ainda ressalta: a “blogosfera brasileira” precisa de outro posicionamento (“principalmente frente aos anunciantes”), como se especializar em temas específicos para serem reconhecidos e influentes. Seja lá o que for essa “blogosfera brasileira”, concordamos nisso: o foco está na relação entre os objetivos de quem compartilha conteúdo pela rede e o interesse de quem procura por eles“.

Trecho do post “O que vai ser da ‘blogosfera brasileira’?” no Marmota

 

E você, o que acha sobre isso tudo?

Quem escreveu:

BIA GRANJA / @biagranja

founder, publisher e curadora do youPIX.
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