Meerkat, Periscope… Entenda por que o mercado está enlouquecido com apps de livestreaming

por BIA GRANJA | 26 março 2015

Onipresença de smartphones, planos de dados melhores e mais baratos e a Cultura do Selfie estão fazendo apps de livestreaming bombarem

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Imagem: B9

 

Livestreaming é uma coisa relativamente velha na internet e é possível que a maioria das pessoas por aqui já tenha feito ou assistido uma live. Apps/sites como Qik, Justin.TV e Livestream foram bem populares lá pra 2009/2010 e a Twitcam, ferramenta de livestreaming acoplada ao Twitter, fez muito sucesso e gerou várias polêmicas com celebridades mostrando suas intimidades na cam e tudo mais. Mas depois de pouco tempo, o hype passou e esses serviços foram deixados às moscas (alguns fecharam). Depois deles a gente também viu apps como Viddy e Socialcam nascerem e morrem.

Porém, hoje, meia década depois, o livestreaming voltou a ser a bola da vez e o mercado digital só fala – e investe alguns milhões de dólares – sobre o assunto. Apps como Camio, Meerkat e o recente lançado Periscope tem a proposta simples de dar aos usuários uma ferramenta pra que possam transmitir a banalidade de suas vidas, grandes eventos ou qualquer outro momento digno de ser compartilhado na internet.

Falamos sobre o Meerkat por aqui antes do hype que o app ganhou no SXSW semana passada. Logo de cara, vimos um potencial imenso no aplicativo, bem como investidores que deram 12 milhões de dólares pra ele – pessoas como os atores Jared Leto e Ashton Kutcher, um dos cofundadores do Youtube (Chad Hurley), Universal Music e vários outros VCs. Meerkating – o ato de fazer uma live usando o app – já está virando verbo entre celebridades e usuários digitais. E já tem gente fazendo “Meerathons“, maratonas de transmissão usando o app.

E hoje o Periscope, serviço de streaming que foi adquirido pelo próprio Twitter por 100 milhões de dólares, acaba de ser lançado oficialmente. O Twitter tenta correr atrás do prejuízo bloqueando alguns acessos do Meerkat a sua plataforma. Prepare-se para uma verdadeira guerra do streaming entre Meerkat e Periscope nos próximos anos.

Eu não consegui testar o Meerkat, porque ele exige que eu tenha a última versão do iOS, mas testei o Periscope e estou, desde já, enlouquecida com as possibilidades do app. Aqui tem uma bela tabela comparativa entre os dois. O grande diferencial do Periscope em relação ao rival é que ele guarda o vídeo após o streaming ao vivo. Achei a interface muito lindona e bem resolvida. Ele tem outros features bem legais como chat e a possibilidade de quem está assistindo clicar em cima da tela pra mandar corações pra quem tá fazendo a live, uma indicação de que está gostando do conteúdo.

 

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Coração e monetização
Me lembrou o Afreeca.TV, plataforma de livestreaming gigantesca na Coreia do Sul sobre a qual falamos aqui outro dia. A Coreia do Sul é uma espécie de benchmark pra esse tipo de tecnologia e tendências de conteúdo: é um país altamente tecnologico, com penetração quase 100% de internet e smartphone e ainda tem uma das internets mais rápidas do mundo. Eles meio que estão anos luz à frente de várias questões digitais e o livestreaming é uma delas. A coisa lá é tão forte que já existe uma profissão pra quem ganha dinheiro com live: Broadcast Jockey (ou BJ). O fenômeno é muuuito interessante e vale investir um tempinho pra entender mais sobre ele. No Afreeca, a galera que assiste manda estrelinhas pros BJs e essas estrelas podem ser trocadas por dinheiro de verdade. Será que esses corações do Periscope podem virar algo mais e transformar o app em uma plataforma de distribuição e monetização de conteúdo?

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Youtube + livestreaming
Se a gente já falou por aqui que vídeo é o novo texto, os apps de streaming representam uma evolução dessa tendência, que não se restringe só ao universo mobile. O Youtube, que já tem sua ferramenta de streaming, vai anunciar em breve uma repaginação completa no serviço, de olho no crescimento meteórico do e.sport e com objetivo de atrair os gamers que migraram pro Twitch (comprado pela Amazon por 1 bilhão de dólares – e antes quase comprado pelo próprio Google). Ano passado, em palestra oficial no Youtube, um de seus executivos falou sobre o tamanho da coisa dentro da plataforma: em 2014, ano de Copa, games foram mais buscados no Youtube do que futebol.

(Um parênteses para uma rápida e maravilhosa história: o Daily Dot vazou essa informação, que seria anunciada só na E3 em junho e, como resposta, ao invés de mandar o famoso “sem comentários”, eles mandaram esse gif animado. kkkk)

 

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E por que tanto hype?
A cada dia, o Meerkat aumenta em 30% sua base de usuários (colocando o app como o 177o mais baixado nos EUA, de acordo com a consultoria mobile App Annie), marcas já estão experimentado por lá e, com nem 1 mês de vida, ele já está sendo avaliado em 40 milhões de dólares.

De acordo com um dos fundadores do Periscope, Kavyon Beykpour, o mundo está mais preparado pra esse tipo de serviço do que há alguns anos, já que as pessoas já estão muito mais acostumadas com a ideia de mostrar suas vidas para o mundo em redes sociais diariamente.

O Twitter já representava o mundo em tempo real, só que em formato de texto e fotos. A live era o que faltava pra completar o serviço do maior Big Brother que existe no mundo. O livestreaming eleva a Cultura do Selfie à um novo patamar. E quem pode dizer que a sociedade não está imensamente inserida nessa cultura?

Além disso, a própria tecnologia está mais preparada pra esse tipo de coisa: a onipresença de smartphones, redes sociais e de planos de dados cada vez melhores e mais baratos faz com que uma parcela grande do mundo esteja andando por aí com excelentes câmeras e uma enorme capacidade de transmitir suas vidas com os outros.

As operadoras estão animadas com um possível aumento no uso de dados pra vídeo. As celebridades estão enloquecidas com a possibilidade de se engajar mais com seus fãs. O Twitter usou algumas delas pra fazer seu lançamento oficial, como o astronauta Chris Hadfield, o ator Aaron Paul e a modelo Tyra Banks. E os veículos também estão achando muito bom poder fazer transmissões ao vivo sem precisar de muitos aparatos tecnológicos, isso os ajudaria a diminuir o gap entre o conteúdo que eles produzem e o conteúdo cidadão.

O hype do livestreaming é apenas um desdobramento da nossa passagem pra Era do Vídeo aqui na internet e ele está apenas começando. Prepare-se pra ver seu Twitter sendo dominado por Meerkats ou Periscopers nos próximos meses. :)

 

 

Quem escreveu:

BIA GRANJA / @biagranja

founder, publisher e curadora do youPIX.
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